
Metal Gear Solid foi um marco para mim, joguei ele pela primeira vez em 2005 quando eu estava na sexta série. Ele foi a indicação de um colega da escola que voltava comigo no mesmo caminho para casa, lembro dele me indicando. Comprei o jogo, ele bugou e tive que ir trocar, ela já tinha me impactado só com o pouco que consegui jogar até travar, mas depois consegui jogar ele completo.
Ao jogar o jogo o impacto dele foi diferente desde o começo. Eu não tinha bagagem para explicar porque o jogo me marcou tanto, mas nesse review vou fazer isso. Também vou pontuar algumas questões mais gerais.
Primeiramente, acho que tudo se resume em uma palavra: linguagem. Metal Gear Solid tem uma linguagem própria, os pontos de exclamação e interrogação na cabeça dos personagens foi uma sacada muito simples que me chamou a atenção desde o começo. É algo simples, lógico e extremamente funcional para um jogo de stealth.
Ainda na linguagem, o jogo tem uma linguagem cinematográfica, são angulos de camera e apresentação de personagens que são feitos para construir cenas marcantes e iconicas. Hideo Kojima gosta muito de cinema e isso fica explicíto no jogo. Para 1998 foi feito o melhor que a época permitia em gráficos 3D.
Aliás, graficamente o jogo não se destaca, os personagens mal tem um rosto definido, mas isso não faz diferença, pois a linguagem usada e os personagens carismáticos fazem os graficos limitados serem apenas um detalhe. Um remake novo para atualizar os gráficos seria bem-vindo.
Os personagens são mais um ponto forte. Snake é o protagonista dublado por David Hayter que aqui faz o seu primeiro trabalho dando sua voz inconfundível ao personagem. O vilão do jogo é Liquid Snake, que é irmão e funciona como uma contraparte do protagonista. Eles são filhos do até entāo vilão Big Boss, algo que ficava vago nessa época, mas seria melhor explicado em jogos gradiosos que vieram depois onde o próprio Big Boss é o protagonista.
Ainda nos personagens, Otacon se torna um importante aliado e o ciborgue ninja é uma figura enigmática que traz o passado dos jogos antigos de volta. Os chefes trazem batalhas memoráveis, a luta contra Psycho Mantis quebrando a quarta parede para o jogar trocar o controle é algo bem sacado que pega o jogador de surpresa.
Essa quebra de quarta parede é mais uma constante do jogo, aqui a linguagem entra de novo, já que essa é uma linguagem que obras de ficção usam para interagir diretamente com o telespectador. Em um videogame onde o teleespectador já interage, a quebra da quarta parede faz mais sentido ainda.
O gameplay é bastante datado para hoje, mas a camera por cima era comum na época. Como o jogo é de stralth, essa camera junto com o radar mostrando o mapa faz a movimentação ser como um labirinto de gato e rato onde Snake tem que usar as paredes para desviar e não ser visto.
Outra coisa que me chamou a atenção na época foi o Codec, que é o radio de comunicação usado pelo protagonista para falar com os outros. Aqui o coronel passa os briefings da missão e várias dicas são dadas. Além disso, reviravoltas acontecem nesses dialogos também. Inclusive, o codec é mais uma particularidade da série que envolve uma linguagem própria para se comunicar com o jogador.
A história do jogo tem vários toques do japão, isso inclui reviravoltas emocionais e mortes tristes como as de animes, também tem a presença de robôs gigantes, que nesse caso levam o nome da série. Inclusive, a batalha final com o Metal Gear é memorável. As viradas de roteiro surpreendentes aparecem aqui, antecipando o que viria em Metal Gear Solid 2.
Metal Gear Solid é um marco da sua geração, ele é diferente do que os jogos de stealth costumam trazer. Ele foi um jogo que me impactou muito por causa da sual linguagem própria e talvez essa seja a engrenagem por tras da minha relação com a franquia.
| INFORMAÇÕES GERAIS DO REVIEW |
| Nota do review: 10 |
| Data de lançamento: 1998 |