[Ensaio] – A mente do Duende Verde no filme do Homem-aranha de 2001

Depois de voltar a assistir o filme do Homem-aranha de 2001 em 2021 me atentei para um fator que eu não tinha bagagem para notar quando assisti no filme no passado. Esse fator foi a psique do vilão, que parece bem complexa e cheia de faces.

Norman Osborn tem o alter-ego Duente Verde, mas aqui o alter-ego vai além de um outro eu, ele é um eu alternativo para vingar as frustrações que o Norman Osborn teve ao perder o poder sobre a empresa que ele mesmo fundou. É como se esse evento junto com a poção tomada desencadeasse uma desordem mental que dá a ele várias faces alternando entre personalidades.

Ele ouve vozes que parecem projeções do seu próprio ego projetadas para fora em máscaras espalhadas pela casa, isso é algo meio psicótico como se seu ego estivesse fora e não coeso. É como se as máscaras fossem uma representação simbólica para onde a mente dele canalizou essa face ruim e desejo de vingança, é como se ele negasse esse lado ruim nele mesmo e jogasse/projetasse para fora.

Já no almoço de ação de graças ele despreza todos e usa uma máscara social para fingir ser bom, esse desprezo com uma máscara/fachada social é algo de narcisistas malignos. É uma bondade falsa e teatral para ser bem visto socialmente e não deixar a sua maldade “vazar”, narcisistas também tem um faro de predador e ativam isso a qualquer ameaça, o vilão faz isso ao ficar afiando as facas enquanto pergunta onde o Perter Parker arrumou o seu ferimento no braço.

Narcisistas odem ser passados para trás (o ego deles não permite) e não admitem ser manipulados, já que são eles que manipulam, isso fica evidente quando Normam tem que tormar providências (e deixar o almoço) ao descobrir que Perter Parker é o Homem-aranha. Por fim, o desprezo dele pela Mary Jane como namorada de seu filho é o último ato que demonstra o narcisismo dele nessa cena, já que desprezar os outros é outra característica de narcisistas.

No final do filme ele parece ter se tornado o Duende Verde e a sua máscara é o Norman Osbon, pois ele faz um teatro de coitado tirando a máscara (literal) do doende, é como se a parte odiosa do seu ego tivesse vencido e o seu ego original virasse só mais uma máscara colocada e tirada. O sadismo parece tomar conta, já que antes de tentar matar o herói do filme ele fala “Descanse em paz Homem-aranha”, o que é algo bem sarcástico para se dizer a alguém que se está tentando matar.

São várias máscaras usadas pelo personagem, são várias faces de um mesmo ego que está divido entre Norman Osborn e o seu alter-ego Duende Verde, que é bem zoado psicamente e poderia ser chamado de Doente Verde. As últimas palavras dele são “não conte ao Harry”, dizendo para o Homem-aranha não contar tudo que ele fez ao seu filho, o que mostra que ele ainda tinha alguma lucidez no meio de todas essas máscaras, talvez no fundo ele soubesse o que estava fazendo ou será que o seu eu só voltou quando ele tinha perdido de vez?